Mostrando postagens com marcador crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crônicas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

GRAN CIRCO SUR AMERICANO

Vão-se os anos na distante Passo Fundo, meados do século XX. Dentro desse período aconteceu a mais famigerada guerra, onde o ser humano demonstrou fúria irracional e desprezo nauseabundo para com o outro!
Naquele tempo, em Passo Fundo prosperou um comércio transgressor, o contrabando de pneus, repassados aos argentinos com lucros exorbitantes, que ainda os revendiam à Alemanha, proibido ao Brasil pelos acordos internacionais. O negócio rendeu fortunas rápidas e a consolidação de riquezas já hereditárias. Tudo à margem da lei. O dinheiro farfalhava nas algibeiras. Visionários aportavam na capital do planalto rio-grandense, pois, dinheiro chama dinheiro!
Naquele contexto floresceu a Rua XV de novembro, mais precisamente, entre as Ruas Independência e General Osório, no centro, próxima da Estação Ferroviária e Rodoviária, na época. Com hotéis, restaurantes, casas de comércio, Igrejas e cemitério, tudo a um passo de qualquer necessidade!
Rua XV, quantas histórias já caíram no esquecimento e quantas foram reinventadas? Perdemo-nos neste leque de possibilidades.
Por falar em leque ... ninguém tinha tanta elegância para manuseá-lo em movimentos magistrais, que as mãos mais cobiçadas a um ósculo de refinado cavalheirismo, Madame ISALDINA. Admirada pelos mais altos escalões do poder e odiada e invejada pelas anêmicas cônjuges dos mesmos.
Exímia no trato político local, nacional e internacional, pois, em seu estabelecimento de Lazer, Diversão e Cultura, palavras estas em diferentes interpretações, recepcionou o mandatário maior da nação, ninguém menos que Getúlio Dorneles Vargas. Também corria à boca miúda que teria proporcionado lancinantes momentos de rara envergadura literária a Perón, suposição é claro de "bocas de matildes"!
Aqui nada se afirma, pois, o Cassino da Maroca (como era carinhosamente chamada) ou o Palácio da Maroca era envolto em névoas de imoralidade, jogatina, bebedeiras, libertinagem, pecados e hematomas indizíveis, isso, segundo relatos de algozes que viam ali o que teria sido Sodoma e Gomorra, incrustados num Passo Fundo que teima em não ser esquecido.
Aos menos afortunados, havia na XV outros palacetes assobradados, pensões e mafuás.
Ao Cassino nada era comparável! Orquestra, corpo de baile, conjunto musical, sala de jogos (carteado e roleta), gastronomia e lindas ninfetas (entre 21 e 25 anos), a encantar os olhos e a aguçar o instinto da corte local e viajantes afortunados do comércio de pneus com a Argentina.
Fato é que os estabelecimentos da Rua XV movimentavam a economia local, pois, precisavam de garçons, cozinheiros/as, faxineiros/as, lavadeiras, cabeleireira(o)s, manicures, costureiras, modistas, músicos, lojas de víveres, de tecido e taxistas (entre outros).
Seguindo esse vetor, a Arte em Passo Fundo estava em ebulição, cito a Companhia Delorges Caminha, de Teatro; nesse contexto foi que o CIRCO chegou em grande estilo, de trem, previamente anunciado. Parcela da população dava as boas vindas e em recíproca largos sorrisos e misancene dos artistas.
O Gran Circo Sur Americano chegou com sotaque espanhol. De linhagem circense, o empreendimento cultural vinha da Província de São José (Uruguai) e, segundo conversas colaterais, viera referendado por Madame!
O Gran Circo Sur Americano estabeleceu-se próximo ao Quartel do 20, região central, com dois mastros (30m por 60m); possuía cadeiras numeradas e arquibancadas, com o codinome "Gigante de Lona"! Em local apropriado, o picadeiro onde aconteceriam "Números Virtuosos" de tecido, corda indiana, lira, contorcionismo, acrobacias e trapézio, rola-rola, malabares, pirofagia e magia clássica. E também Reprises cômicas e musicais com a trupe de palhaços. Tudo isso sob a batuta do Magnata do Riso, "O Palhaço Gira-Gira"!
Ainda, no picadeiro o público era agraciado com cenas que a retina dos infantes jamais esqueceriam: Elefantes, Macacos, Cães e Cavalos adestrados, cuja estrela maior era o puro sangue que atendia pela alcunha de Conde!      
Concomitante ao picadeiro era erguido, suntuoso, o palco italiano; novidade, onde se brindava ao público peças de teatro, uma inovação prodigiosa. Era o Circo se adaptando aos novos tempos, em que as casas de cinema dividiam o público e também o surgimento eloquente da televisão. Nascia o Circo Teatro ou, conforme preferência semântica, Teatro de Lona, com números mais curtos e atrativos.
No entanto, caro leitor, ainda na função da armação dessa fábrica de sonhos, correu boato que Gira-gira tornara-se vítima dum surto de febre tifóide, que assustava a região. Confirmado o diagnóstico e gravemente doente, em perigo de morte eminente, teve licença médica humanitária, para proporcionar a sua esposa, o sonho dum casamento em cerimônia religiosa. Assim foi feito, na Igreja Nossa Senhora da Conceição, onde as áias foram as próprias filhas. Um escândalo, não fossem os enfeites na Matriz terem sido presente da comadre Isaldina (como era saudada na família circense). Enfim, havia vexame maior!
Gira-Gira foi tratado e curado no HSVP e o espetáculo teve prosseguimento, ou quase. Enfim, houve atraso na estreia, de vários dias. É que o secretário do circo, homem das deliberações burocráticas, estava no xilindró, acusado de bebedeira e arruaça na rua XV. Gira-Gira por pouco não teve um colapso com a aviltante notícia.
Conta-se que o homem dos trâmites, por ter regalias junto à comadre, chegou garboso no Cassino, escolhendo a dedo, Tetéia, uma francesinha de 21 anos e catedrática na arte da sedução. De corpo esguio, feições de boneca e um vestido rendado, sob vermelho cádmio, acinturado de leve godê que se estendia a um palmo antes dos joelhos, deixando entrever, sem nada mostrar. O encontro foi regado a champanhe pra moça e whisky pra matar a sede dum batalhão. Lá pelas duas da madrugada, Tetéia levou o incauto à mesa de jogo. Contam que, na última rodada, quando o croupier anunciou o vencedor e curvou-se para recolher as fichas e  o dinheiro sobre a mesa, deu-se o fiasco de proporção antológica. Antony, nome artístico, duro de trago saltou sobre a mesa tentando resgatar ao menos parte da aposta, chorando desesperadamente e lutando com os seguranças, gritava como um louco:
- Este não, este não, é da prefeitura.
Sem o pagamento das taxas, sem Alvará.
Sem Alvará. Sem Circo!
Gira-Gira aprumou o corpo, ainda convalescendo, vestiu sua melhor fatiota e foi até o Cassino. Em encontro reservado com a comadre Maroca, nem foi preciso pedir, de pronto a formosa dama proveu 100 mil cruzeiros ao amigo, uma pequena fortuna à época. E foi assim que o Gran Circo estreou em Passo Fundo e foi sucesso estrondoso. Mais um segredo, Maroca teria patrocinado, não fosse a devolução do empréstimo, nota em cima de nota. Gira-Gira era homem de princípios.
Conta-se também que, vinte dias depois partiu o circo, de trem, rumo a Cruz Alta. À bagagem de Antony somava-se a de Sebastião, (vulgo Tetéia, lembram?), teriam vivido um tórrido amor. Eu não paro de me surpreender com aquele Cassino.
O mágico, "El Condor", amasiou-se com a estonteante nigeriana Magdalenna e seus descendentes são os criadores, pelo que sei, do Circo Giratório da Chechênia.
E tem o caso menos glamouroso, dum "peludo" de apelido Chico Onça que, sem dinheiro para ostentar, iniciou romance com rapariga dum mafuá, mais a esquerda, na Rua XV, loiraça de nome Marga, que lhe rendeu alguns dias felizes e uma vida de incomodação.
E ainda tem o caso mais comentado até hoje pelos mais velhos. Heráclito, o galã das peças teatrais, moço de fina estampa, não se dava ao desfrute do meretrício. Era visto diariamente entrar na Igreja, circunspecto. Quando o Circo partiu, a Madre encontrou bilhete bizarro. A noviça Maria Socorro dos Anjos fugiu com o Circo e foi viver de amor e arte!
Foi-se o Circo, a guerra acabando e a Rua XV começou seu martírio de intrigas jornalísticas, moralismo religioso e senhoras despeitadas.
Hoje, só mais uma história!

A CRIATURA DA CHICUTA

                                                             

      Deus do céu
     Há histórias que não deveríamos sequer mencionar a existência. Pois o horror estampado nos olhos de quem viu ... só em pensar arrepia-me os pêlos! Falo porque conversei com pessoas, com as quais travei silêncios inesquecíveis, sílabas gaguejantes e frases truncadas pelo pavor.
     Escrevo, quase na ânsia indômita de avisar. Quero alertar do perigo que corres, se depois da meia noite, por um motivo qualquer, andares a pé na Avenida Chicuta, descendo a lomba da Gare, lá pros lados do Bosque. A coisa acontece na altura do arroio Raquel (para alguns antes dele, para outros um pouco mais adiante).
     Os moradores do entorno contam com voz debilmente baixa e olhar espreitando a porta, que o evento acontece entre meia noite e quatro horas da manhã. Contam que tudo começa quando o vento minuano em um assovio fino penetra as frestas dos cômodos, numa melodia quase mortificante. Logo a seguir, ouve-se ao longe um tropel de cavalos, quase visualiza-se os animais em característicos galopes e relinchos, mas nada se enxerga!
     Concomitante, uivos de cães e lobos guará, ora distantes, ora em que o bafo e o tilintar de caninos brancos rosnando em direção a coxa e/ou jugular, definitivamente afastam o espírito, deixando um corpo pálido e ofegante, paralisado pelo medo!
     Mas não há, segundo me relataram, vítimas de sangue. A “coisa” é, perigosamente espiritual ou relacionada a isso, senão transcendental.
     Contaram-me os viventes que este evento é mais forte no quarto de lua nova, onde a luz é desesperadamente cercada pelo breu celestial. Lua cheia, caro leitor, é pra histórias mirabolantes de Lobisomens e Morcegos sanguinários.
     Ah, gargalhadas estridentes as vezes masculina, outras feminina. Vultos percorrendo calçadas e ruas adjacentes. Vês e ouves, mesmo que não queiras!
     Cristãos de todas as matizes, judeus, muçulmanos e crentes de matrizes africanas, citando também agnósticos e gnósticos ... unanimidade! Naquele quadrante, em Passo Fundo, algo sobrenatural ou ainda carecendo de explicação científica ... acontece! Mas acontece ...
     Entrevistei inúmeras pessoas. Preservo nomes para não haver represálias da imprensa ideológica ou procura insana da imprensa sensacionalista.
     Contou-me um senhor, entorno de 50 anos, Pastor de profissão, com voz trêmula e um cacoete onde a pálpebra do olho esquerdo tremia ensandecidamente, que um cão, descrito como um Rottweiller, o cachorro do demônio, bafejou-lhe a nuca num rosnar gutural, tendo avançado traiçoeiramente. Ele, numa corrida tresloucada percorreu cem metros rasos em segundos olímpicos, também saltando um muro de dois metros sem apoio físico. E que só parou de espancar a porta de casa e de gritar alucinadamente quando sua esposa espavorida a abriu. Ele entrou e viu, como numa alucinação, o bicho transformar-se em algo maior ainda, como um urso e concomitante adquirir uma etérea forma humana com fraque, cartola e um sorriso quase maroto!
     Umbandistas afirmam ser Exú cuidando das pessoas, tirando-as da linha de perigo. Mas evitam aquele local após a hora grande (meia noite). Acostumados a lidar com tais energias, naquele quadrante, evitam, pois como dizem, a coisa é punk.
     Outros ainda afirmam que um senhorzinho de corcunda acentuada, que ninguém jamais viu o rosto, é um ser encantado. Toma ele uma forma dúbia, meio homem, meio porco que grunhindo agita os animais domésticos, instigando-lhes o instinto selvagem, modificando inclusive a atmosfera local (o tal "porco-homem").
     Um ufologista numa conversa quase informal, confessou-me que aquele quadrante é monitorado pela CIA e pela NASA, sem que os governos municipal, estadual ou federal tenham gerência ou saibam. Segundo ele ali existe um portal, onde pessoas especiais transitam insuspeitamente. Confidenciou-me que cidadãos comuns fizeram a passagem e no retorno a esta realidade relataram que Passo Fundo é co-irmã de Atlântida (a civilização perdida). Este pesquisador contou-me ainda que o Festival de Folclore, a Feira do Livro, a Jornada Internacional de Literatura e a Jornadinha mais o Rodeio Internacional de Gaudérios em Passo Fundo, são diretamente influenciados pelos Atlantes. São meios deles encontrarem-se e fazerem a troca dos guardiões deste segredo.
     Meus amigos, a história toda não sei e duvido que venha saber algum dia.  Passo Fundo como veem não é para amadores, ignorantes ou covardes. O tempo dirá!
     Mas ... e a criatura, estás a se perguntar?
     Não sei se existe ou não! Mas que há alguma coisa, ah, é claro que há!

sábado, 31 de março de 2018

DESAMAR ... VERBO INTRANSIGENTE




Coletânea de Crônicas projetopassofundo.com.br

          Mas que loucura é, enfim viver!
          Viver aliás, é relativamente fácil, amar é o problema!
          Percebo uma certa dificuldade do leitor em assimilar tais devaneios. Explicarei melhor.
         Desconsiderarei aqui o amor filial e fraternal. Os gregos sabiam do babado. Mas hoje em dia a ética/moral nos impõem restrições e a lei nos imputa comportamentos... Amar primos/primas é acidente de percurso! Ou não!
          Mas lembro que depois dos meus 13/14/15 anos, não sei precisar muito bem, enveredei nas veias ardentes do amor ... claro, me apaixonava e este sentimento como relâmpago já virava amor de doer o peito, tinha febre terçã, ardia-me a alma. Vagava como zumbi na estrada férrea ( papai era ferroviário). Escrevia poemas, muitos dos quais jamais entreguei ... a dedicatória foi sempre e é virtual ...
          Amei Lia, Tânia, Janaína, Raquel, Maria Helena e ... minha mente seletiva, para evitar a dor maior, foi esquecendo tantos nomes ... ao menos é o que garantem em suntuosos tratados psiquiatras de renome ...
          Mas, cada amor que terminava, alguns, muitos até, nunca começaram, ficaram entre eu e minha mente transtornada. Mas outros, quando do término palpável, cheguei a odiar, desencantar. Mas uma coisa vos confesso ... "a todas jamais desamei".
          Para algumas nunca mais voltei. E como é difícil voltar à quem se desama. Outras tantas jamais voltaram para mim, mas jamais as desamei (que jogo de palavras desinfelizes).
      Desamar é amputação na alma. E cada amor está gravado nela. Desamar portanto é quase uma impossibilidade física.
          Amo Helen, Carolina e Hannah e Santa e Carmem e Izabela, desamá-las seria um drama Euripidiano.                      Assim como Beatriz, Talita, Luiza, Márcia e a estas eu odiei, sonhei com suas mortes lentas e dolorosas, mas jamais, nem no ínfimo instante de minha maldade, consegui desamá-las.
          Desamar é como destino, por mais que se fuja ... este sentimento esta ali, no primeiro descuido de nossas lembranças! O desamor se transforma em quase bucólica saudade ... numa rememoração distante, num sorriso em que os olhos permanecem tristes.
          Para que fique claro ... desamar não é odiar. Pois o ódio pode virar amor, a linha é muito tênue.
           Desamar é a intransigência, a insaciedade. Depois que se ama caro leitor, desamar é quase morrer ou o frio conceito desta ...
          Desamar é como não ter amado!

PAPA NEGRO


          De todos os animais da terra ninguém é mais dado ao sobrenatural, que o homem. Talvez pelo fato de arguir com o desconhecido, com o amanhã não decifrado.
        O ontem é de relativo entendimento, com o tempo acabamos por compreendê-lo ou nos damos o benefício da dúvida. Mas o porvir?...
            É neste contexto de ambiguidades meus caros, que me deparo com profecias. Não sei se já notaram, mas eles se expressam (os profetas) por parábolas, paráfrases e metáforas. Não consigo entendê-los. Meu raciocínio entra num emaranhado, me perco, é uma lógica perversa. Daí vem o desespero e a incontinência verbal, ora escrita.
      Dia desses deparei-me com uma dessas profecias apocalípticas e é esta que quero compartilhar com vocês, bem ao gosto duma catástrofe anunciada. Não que eu queira instituir o pânico!
          Sim, ela teve início no século XII, é quase tão velha quanto andar pra frente, estas são as piores, me dão medo. Foi o Bispo Malaquias, da Irlanda do Norte (depois virou santo - São Malaquias). Previu em uma viagem à cidade eterna, que a partir daquele momento a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) teria 111 Papas "normais", digamos assim, dentro do combinado, e o 112º representaria o fim dos tempos. Não quero alarmar, não é do meu feitio, mas este, é o atual...valha-nos Oxalá!
          Nostradamus, alquimista do século XVI, proferiu: - "Rei Negro, último no trono do Vaticano antes do mundo sucumbir ao apocalipse (doenças letais, pragas, catástrofes, guerras). Não esqueçam que o Vaticano é uma monarquia, portanto o Papa é Rei. Estaria se referindo ao atual?
         Em 1527 o Monge de Pádua deixou um recado. O último Papa viria de terra distante para encontrar tribulação e morte. Meu Negrinho do Pastoreio, valei-nos!
           Bem, prosseguindo a conversa. Em 1534 por interseção do Papa Paulo III, Ignácio de Loyola (que depois virou santo) criou a Cia de Jesus, conhecida pelo codinome de, Jesuítas. Nas entrelinhas da história, os Jesuítas compõem uma ordem militar, despótica e ditatorial cujo objetivo é o poder. Tanto que suas ações são, ora em favor, ora contrárias a Igreja. Meu Jesus, vá entender!
          Desde sua criação, o Superior da Ordem Jesuítica, cujo cargo é vitalício, veste batina ou terno na cor preta. Por esta razão é conhecido nos corredores da instituição, desde sempre, como - o Papa Negro - cujo poder, dizem, é correlato.
          Pe Vieira parlamentava veementemente contra os pregadores do paço - palácio - aqueles que pregam à luz de interesses e no conforto. No Sermão da Sexagésima, defendia o ideal de que os Jesuítas são sacerdotes do passo, da estrada, da missão, debaixo do mau tempo - rivalizando - se é que me entendem? Salve Jorge!
          Passados 479 anos da criação desta ordem, chega a Roma, Jorge Mário Bertóglio, Arcebispo de Buenos Aires. O primeiro Papa na história da ICAR a pertencer a Cia de Jesus.
          - Uma ideia percorreu minha espinha, fiquei arrepiado. Imagine você caro leitor, se o papa fosse brasileiro? Seríamos amaldiçoados, porque desgraça pouca é bobagem, te garanto, a profecia já era uma calamidade. Valei-nos São Benedito!
            Olhando agora com mais atenção, não sei se o Salve Jorge ficou num bom lugar?
         Saiba você que o Bispo de Roma veste branco. O atual Papa é Jesuíta e é subalterno ao Papa Negro e não o contrário...minha mãe Oyá, será que estou entendendo esta profecia?
            Sei que após o - Habemos Papa - o já Francisco, em conotação ambígua fez uma referência desconcertante: "Foram quase ao fim do mundo (???percebem???) para buscar o Papa". Que Alah jogue sobre nós seu manto!
           E vou mais longe, pois eu rio na cara da perigo ... Profecia minha - " Chicão será escolhido por sua ordem como o General Supremo, unificando o papado que se tornará então, Bicolor".
        Guerras, pestes, catástrofes, fome, inflação, desemprego, corrupção. Esta é a nossa realidade, não vejo nada de novo, porém, o futuro é que me agonia! Valei-nos Nossa Senhora Aparecida!
           Não sei se perceberam, mas na profecia o Papa não é negro na tez, mas, no tecido. Só pra constar!
            Misericórdia nossa santinha mestiça Maria Pequena!
            Quem viver, verá!

PROFETAS DA HECATOMBE



            Dia desses viajei. Não viagem de ir e vir. Para isto basta um dedo na mão. Viajei no sentido abstrato do termo. Naveguei na rede, nas teias da internet. No nada visível, mas concreto por inteiro.
          A ideia era fazer nada e de lambuja ver alguma coisa que distraísse minha mente permeada de problemas existentes e outros ... sei lá!
              Em tema recorrente, voltei as profecias. Sei, dirão: - quanta bobagem!
            Mas o humano ser é curioso, não com o que sabe, mas com o que não sabe e pior, com o que não tem como saber.
         Por isso a desconfiança com os chamados profetas. Como saber se são falsos ou verdadeiros? Temos que esperar o evento acontecer para só então termos a convicção justificada ou negada. A espera, por vezes consome gerações.
            Nesse sentido a história é nossa aliada. Poderíamos tecer exemplos e mais exemplos.
       E volto a dizer caros leitores: -" os profetas e místicos em geral, acredito que fazem um curso específico, senão nesta vida, de outra já veem diplomados, de como dizer muito, sem esclarecer absolutamente nada! Isto corrói minha mente ensandecida! Interpretar torna-se uma exegese!"
          Neste contexto, resolvi escrever sobre assunto corrente de que haverá um mega tsunami, já na borda do tempo presente. E saiba tu que este cataclisma é raríssimo na história da humanidade. E ao que sei a ciência corrobora com tal visão apocalíptica.
      Segundo reza tal visão, este evento acontecerá a partir do arquipélago das Canárias. Mais precisamente da Ilha de Palma e seu vulcão Cumbre Vieja, e da Ilha de El Hierro e seu vulcão Lomo Nigro.
           A pressão do magma, o aquecimento e a vaporização da água dentro da estrutura das ilhas causaria uma implosão e deslocamento de não menos que 500 milhões de toneladas de terra e rochas em direção ao fundo do oceano, gerando uma imensa onda a oeste, em rota de colisão a costa leste dos EUA e norte e nordeste do Brasil. Claro, com desdobramentos maléficos também na Europa e África, mas com menor intensidade.
         Na variação cataclísmica, as ondas oscilariam de 10 a 100 metros com potencial de varrerem o atlântico a 900 k/h e com capacidade energética de adentrarem o continente até 20 km. Do epicentro até as Américas levaria de 8 a 10 horas.
          Meus queridos leitores, a capacidade destrutiva na área econômica é incalculável, mas de menor monta. Ceifar vidas parece ser o objetivo maior deste arrazoado que a natureza nos prepara lenta e silenciosamente.
       O que me alenta, apazígua meu coração calejado de tantas desventuras é que a imprecisão catastrófica dá-nos o benefício da interpretação de que a coisa poderá acontecer daqui a dois anos, 20 ou ainda 200 anos, mas é uma questão de tempo ... desgraças são inexoráveis!
          Antes de ler sobre isso, não sabia disso. Agora estou nervoso. Deus do céu, a ignorância é uma benção!

BRUXAS NO MAR DE ITAGUAÇÚ



          Itaguaçú: palavra de origem indígena -"Pedra Grande". É praia na parte continental de Floripa SC, digna de visita. Sorvo esta dos contadores de histórias Franklin Cascaes e Peninha.
              Quem for a praia irá deparar-se com um conjunto de pedras mar adentro, magnífica formação geológica segundo estudiosos do ramo.
             Mas o certo, o acontecido, o veritas veritatum, o quase indizível e que permeia a história é o que agora vou relatar.
             Peço cuidado. Aos visitantes um alerta. O olhar deve ser desprovido de maldades e inquietações psicológicas. Segundo relatos, na quase linha tênue da loucura, o pensamento retorna na razão inversa, mas com força elevada ao cubo. Motivo, segundo dizem, da super população do Instituto Psiquiátrico, ali perto.
            O aviso está dado!
            O fato que ora narro é verdade e dou fé! Estou proibido de revelar minhas fontes, que não, os já revelados.
            Em tempo imemorial, as Bruxas (lindas, lábios carnudos, colos perturbadores, cinturas finas e ancas magistrais ...) resolveram fazer uma festa bailante, aos moldes do que acontecia na alta sociedade.
            Escolheram o local - Praia de Itaguaçú - lugar de abundante natureza onde mar e terra tocam-se ingenuamente, enfim, o mais belo cenário às criaturas de encantamento!
            Convites mágicos que se desfaziam após ávida leitura foram enviados. Estes foram endereçados à Bruxas, Magos, Lobisomens, Vampiros, Mulas sem Cabeça, Curupiras, Sacis, Caiporas, Boitatás entre outros...
            Em Conselho, decidiram as protagonistas não convidar o Diabo (logo ele, o Chefe). Este tinha um forte odor de enxofre e o pior eram suas atitudes anti-sociais. E o ó do borogodó: - ele exigia que as Bruxas lhe beijassem o rabo, como forma de firmar seu poder, numa atitude debochada e escalafobética de submissão, elas estavam fartas.
            Enfim a orgia acontecia no salão de baile quando entre raios e trovões, surgiu irritado e magoado o Diabo. Uma fiel escudeira havia feito uma delação premiada. A simples presença "Dele" pôs fim a bailanta. Foi uma correria e magias desperdiçadas na loucura da visão mefistólica.
            O Diabo então impôs castigo inquisitorial a atitude marginalizante do bruxedo. Transformou todas em pedras que flutuarão pela Praia de Itaguaçú por tempos infindos. Só vendo para acreditar ...
            No entanto corre a boca miúda que pedidos sinceros às Bruxas, são atendidos. Estes devem ser cochichados. Se ditos em voz alta, o medonho transforma o interlocutor em mais uma pedra.
             É verdade caro leitor ... duas pedras a mais. Juro, ontem não estavam lá ...
            Aviso dado! Deus me livre. É praia pra fortes! Fui ...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

VIDA DE MEDONHO

         
        
         Sonhava o adolescente em ser tantas coisas, que mal cabiam os pensamentos em seus devaneios. Evasivas respostas às perguntas inconvenientes tipo: “o que tu vai ser quando crescer?, “médico, advogado, engenheiro?” – Diacho, ele só queria sonhar, mas que droga mesmo.

          Tornara-se comum, verem o menino em passeios nas cercanias da cidadela, empunhando caneta e papel, solitário. Mas e os sonhos? Não creem serem companheiros, amigos até.

          Mas foi sua mãe, mulher de aguda sensibilidade quem primeiro notou. Seu filho já não era mais um infante, despercebido do que o rodeia. Estava apaixonado o guri. Eis a explicação para o olhar “perdido” num nada não perceptível aos desprovidos de paixão e loucura.

          Fazia poemas o medonho. Alcunha esta caída em desuso, após indecifrável aparente apatia.

          A mãe mexeu nos guardados do menino e descobriu algo que a preocupou, mas respirou, acalmou-se. Pois teria que haver explicação. O rapazola, com absoluta certeza havia saído ao avô paterno. Um incontido quando se tratava do sexo oposto. – “teria que haver explicação” – repetia-se ela incessantemente.

          Poemas de amor para Martha, Lucimara, Tânia, Janaína, Thaís, Carlise, etc, etc e etc. O menino precisava de orientação. À quem pedir? Ao pai? Mas este era muito ocupado. À professora orientadora? Mas eram tantas crianças na escola, o problema dele seria apenas mais um. Um psicólogo? E se ele fosse freudiano? Ela seria a culpada. Um psicanalista? E se ele fosse pervertido?

          A mãe vivia aturdida em preocupações. Havia o marido e mais dois filhos para ela cuidar. Para seu descanso os outros tinham maior senso prático que o medonho, que era um sonhador.

          E assim passaram-se os anos. O pai do medonho se aposentou. Os dois filhos práticos casaram-se, estavam bem encaminhados, constituíram família. Os netos eram simplesmente demais. Sorrindo, ela não poupava adjetivos aos descendentes.

          Mas......e o medonho? A tempo nãos se ouvia falar nele. Há muito partira. Como todo sonhador com as mãos abanando. Destino? Talvez a capital, nem ele sabia.

          A mãe tinha um olhar triste e gotículas lhe emanavam dos olhos sob os óculos de espessa lente. Onde andaria aquele medonho que não lhe enviava notícias a dias, meses, anos. Ela já perdera as contas da dor da saudade.

          Mas, era uma manhã de sábado, parecia risonha e prometia um sol escaldante para a tarde. Havia uma brisa disfarçada que enxotava as folhas secas da calçada.

          O relógio assinalava 10h30min quando a mãe como que ativando o sexto sentido, levantou-se bruscamente e ao direcionar o olhar para o portão deparou-se com o pródigo, de cujos olhos brotavam saudades e da boca ósculos de amor.

          O medonho voltara numa manhã de sonho, como em sonho vivera. Era poeta o medonho, cujo sonho realizara.

          Enfim o medonho voltara, mas que saudades plantara, desde os sonhos de guri, ao homem feito, de barba. Mas o sorriso era o mesmo. “Medonho o que tu ta aprontando com essa cara deslavada?” – inquiriu a mãe. E o medonho?

          Este....este....poetava!